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Saiba tudo sobre a carreira de dança!


No Profissões sem Frescuras de hoje, falamos com Victória Fonseca, 29 anos, que nos contou um pouco sobre sua carreira como Professora de Dança. Confere aí!


Qual a sua profissão?

Professora de Dança


Conta pra gente um pouco de quem você é, da sua história!

Eu sou a Vic Fonseca, professora, pesquisadora, bailarina, cientista social, pós graduada em dança, psicopedagoga em formação. Uma artista curiosa, apaixonada por educação e todos os processos que a envolvem. A dança sempre fez parte da minha vida, desde muito pequena. É uma carreira que começa cedo. Com 15 anos já dava aulas de Ballet Infantil, mas não imaginava que seria minha profissão aos 30. Meu primeiro curso foi Jornalismo, o que eu considerava perfeito, pela minha capacidade de comunicação. Acabei entrando em Ciências Sociais na UFRGS como um complemento.


Queria entender sobre História, Política, Economia, Sociologia, abrir meu leque intelectual. Neste processo, acabei me identificando muito mais com o curso e com a carreira acadêmica do que com o próprio Jornalismo. Migrei! E fiquei! Trabalhei com pesquisa em Antropologia e acabei ganhando uma bolsa de estudos para os EUA. Passei um semestre na Vanderbilt University, em Nashville-TN, vivendo uma das experiências mais transformadoras da minha vida. Um divisor de águas pessoal e profissional. Mas, durante todo este tempo, a dança foi o meu sustento, estava sempre dando aulas. E mesmo em outro país fui buscar cursos de aperfeiçoamento em Dança do Ventre e Ballet Clássico.


Na época, não imaginava as portas que se abririam com esta escolha. Logo que voltei para o Brasil, formei novas turmas de dança para dividir minhas experiências no exterior. Foi quando tudo se encaixou. Continuei na Licenciatura em Sociologia e fui percebendo que o trabalho em dança se tornava mais rico ainda, com a minha experiência como cientista social. Fundei o Ghawazee Grupo de Danças, que cresceu e floresceu. Acabei buscando uma pós graduação em Dança. E continuo neste caminho multifacetado de bailarina/educadora/socióloga, que se tornou minha marca e meu diferencial.


Em uma frase, o que na sua profissão te deixa assim?

O som dos aplausos, claro.


Como você se descobriu nessa carreia? Quem te inspirou?

Venho de uma família de professores do lado materno e bailarinas do lado paterno. Acho que isso me resume muito bem, sempre tive estas duas facetas na minha trajetória. Minha tia Rosângela Pereira, minha primeira professora de dança e agora colega, foi fundamental e sempre uma inspiração. Não houve um momento específico em que me descobri como professora de dança, acho que as coisas foram acontecendo. Passei um bom tempo sem ter certeza que podia fazer isso dar certo, como tantos colegas da área.


Quando decidi dar aulas, estudei muito e me dediquei na realização deste trabalho, como sempre fiz em tudo que abracei. Busquei profissionalização com uma professora referência na área, Brysa Mahaila, onde encontrei as ferramentas que precisava para construir minha metodologia e conhecer o mercado que eu estava entrando. Então, as turmas aumentaram, comecei a ver transformações nas minhas alunas, produzi o meu primeiro espetáculo, depois o segundo, senti que era real, tinha algo acontecendo ali. Vi que meu trabalho em sala de aula tinha sucesso e que ensinar era o caminho certo pra mim.


Qual é o processo para iniciar uma trajetória como Professora de Dança?

Como é perceptível pela minha descrição, a formação de um professor de dança pode variar muito. Mas independente do caminho que escolhemos, o estudo estará presente. Os cursos livres na dança são essenciais, o professor faz aulas ao longo de toda a sua vida. Além disso, hoje, a Dança está presente nas universidades, com graduações e pós graduações sólidas, que cada vez mais se tornam requisitos para atuar na área.


Um professor de dança precisa de formação pedagógica, conhecimentos técnicos, metodológicos, estudos de anatomia. O primeiro passo é ser um aluno assíduo, mergulhar no mundo da dança, fazer trabalho de monitora, participar de eventos, aprender com bons professores e investir em sua formação.


Como é o dia-a-dia de um Professora de Dança?

A rotina é não ter rotina. Em geral, o professor de dança trabalha em mais de um espaço ou abre seu próprio local. As turmas são formadas de acordo com a disponibilidade dos alunos. Muitas vezes, podemos ter todas as noites ocupadas e muitas manhãs livres, por exemplo. Nosso dia-a-dia é bem peculiar. Muito do nosso tempo livre é ocupado com planejamento das aulas, treinamento e estudos.


Os fins de semana também costumam ser movimentados, com cursos e eventos. Há épocas de mais trabalho, como o final do ano, em função dos espetáculos. Por isso é importante organizar a própria rotina e respeitar os limites físicos e mentais. É muito fácil se sobrecarregar neste tipo de trabalho. Com a experiência, vamos aprendendo a fazer escolhas e estabelecer limites.


Quais os principais desafios?

Ainda existe uma desvalorização da profissão no nosso país. Todos que trabalham com arte sentem que é difícil ser levado a sério como profissional. É difícil viver de algo que a sociedade considera um lazer e acredita que, por isso, deve ser feito de bom grado e talvez até sem remuneração. Na dança, isto se acentua ainda mais. É necessário compreender que os corpos são pensantes e complexos e o professor de dança é um especialista, um estudioso, exercendo um trabalho que exige preparo e competências específicas.


Outro problema é a falta de mercado para bailarinos, o que acaba fazendo com que estes se tornem inevitavelmente professores, mesmo sem identificação com o processo de ensino. Em questão de arte e cultura temos muito o que avançar, inclusive no pensamento individual e na maneira como consumimos arte, desmistificando e compreendendo o trabalho árduo do artista.


O que alguém precisa pra ser bem sucedido nessa profissão?

Formação, criatividade e empreendedorismo. Aqui chegamos em um ponto importantíssimo. Além de estudo e dedicação, o professor de dança precisa saber vender o que faz. Isso se alcança com uma postura de empresário, valorizando seu próprio trabalho, cobrando de acordo e criando uma organização financeira. Para isso, existem profissionais da área que podem ajudar no processo. É um investimento necessário e dá resultado. Assim como o marketing, para saber trabalhar com a própria imagem e tornar seu serviço atrativo. É claro que, chegando na escola, o aluno precisa receber aquilo que foi prometido. Isso se dá com planejamento, ideias criativas e experiência.


Além disso, habilidades interpessoais são fundamentais para manter os alunos, que se apegam não só à dança, mas ao grupo, aos eventos, àquilo que esta atividade social proporciona. Por isso, não se pode restringir o trabalho à sala de aula. Encontros, eventos, cursos, pequenas apresentações, tudo que a criatividade do professor construir é válido para criar uma atmosfera envolvente. Aqui, cito o exemplo de um evento que criei há alguns anos atrás: o "Chá Árabe Ghawazee", onde as alunas interagem, dançam, levam amigas, também convido profissionais que querem divulgar seus trabalhos e fazemos uma grande tarde de confraternização e networking. Este evento alavancou minha marca, proporcionou uma nova rede de contatos e encantou minhas alunas.


Quais habilidades você teve de desenvolver?

O professor de dança autônomo é multifuncional. Como micro empresária na área, tive que me tornar um pouco contadora, publicitária, produtora, além de bailarina e professora. Mas ainda acredito que as habilidades mais importantes para o desenvolvimento do meu trabalho foram a empatia, a paciência, o jogo de cintura em lidar com tantas mulheres, com histórias e expectativas diferentes. Transformar uma turma em um grupo, que se relaciona bem e consegue aprender junto, é um desafio diário. Acho que cresço nisso todos os dias.


Qual a dica de ouro que você tem pra quem quer começar nessa carreira?

Consuma arte e busque inspirações para manter a criatividade aflorada. Procure bons professores e estude muito! Não tenha medo de criar, se tiver embasamento para isso. Encontre sua marca, sua metodologia e acredite nela. E não esqueça que trabalhamos com pessoas e com as bagagens de cada uma delas, seja humano!


Gostou? Curte e compartilha com aquele amigo que quer fazer essa profissão!!)

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