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Saiba tudo sobre a carreira de Medicina - Pt 1

Atualizado: 10 de Out de 2020


No Profissões sem Frescuras de hoje, falamos com a Mayara Lorena, 30 anos, que nos contou um pouco sobre sua carreira na medicina. Confere aí!


Qual a sua profissão? Médica- Pediatra. Em especialização de Alergia e Imunologia pediátrica


Conta pra gente um pouco de quem você é, da sua história! Oi!! Eu sou Mayara, tenho 30 anos e sou pediatra. Eu nasci em Recife e venho de uma família com poucos médicos, mas sempre tive vontade de fazer medicina. Fiz 2 anos de cursinho pré-vestibular e em 2010 passei na Faculdade Pernambucana de Saúde. Como eu estudava na escola por bolsa, também acabei conseguindo uma bolsa na faculdade, o que foi ótimo. Durante a faculdade fiz 1 ano de intercâmbio nos EUA pelo programa Ciências sem fronteiras, no Washington and Jefferson College, Pensilvânia. Lá eu tive a oportunidade de fazer 1 ano de estudo em neurociências, com foco em leitura e discussão de artigos e fiz ainda estágio por 3 meses na Boston University. Foi realmente uma experiência profissional e pessoal incrível. Quando voltei conclui minha faculdade e já fiz prova para residência médica em pediatria, que também sempre quis fazer. Fiz pediatria na UPE e hoje faço Alergia e Imunologia Pediátrica na USP - SP.


Como você se descobriu nessa carreira? Quem te inspirou? Na verdade minha mãe fala que desde os 4 anos de idade eu falava que ia ser médica. Não lembro exatamente em que momento tomei essa decisão, mas lembro que sempre quis ser pediatra. Venho de uma família com poucos médicos, o que não é tão comum em nossa área e lembro de olhar pra minha pediatra e querer ser como ela. Outras influências na carreira já tive depois de mais velha, na faculdade mesmo.


Em uma frase, o que na sua profissão te deixa assim?

"A gente contrata em CLT"

(Carreira sem Frescuras aqui: vocês sabiam que a imensa maioria dos médicos são contratados como PJ?? Salvo em poucos casos, não existe um plano de carreira, plano de aposentadoria ou nada disso. Quando não são concursados ou tem o próprio consultório, os médicos são donos 100% de suas carreiras, o que tem seu lado bom e ruim né?)


Qual é o processo para iniciar uma trajetória como médica? Acho que como todo mundo imagina, na medicina você tem que estudar muito e isso é para sempre. Então acho que para iniciar uma trajetória nessa carreira você precisa antes de qualquer coisa saber se realmente é isso que você quer. Muitas pessoas fazem medicina por influência dos pais ou de outros familiares ou com apego ao que hoje considero “falso status” da profissão, outros ainda pensando mais na questão financeira. Mas acho que se essa decisão não parte de você, em algum momento você vai se sentir extremamente frustrado com sua profissão. A verdade é que a rotina é dura, muitas coisas são abdicadas, a responsabilidade é enorme e em algum momento você percebe que não existe esse status todo e que também você não vai ficar rico com a medicina. Não me entendam mal com essa afirmação, médico ganha bem sim, mas não fica rico com isso.. a não ser que você saiba investir bem o seu dinheiro, virar empresário ou dar plantão a ponto de fazer você envelhecer 10 anos em 1.. e nesse ponto acho que muitas pessoas se perdem mesmo.. principalmente quando recém formadas. O status é outra coisa que vem mudando muito ao longo dos anos. O médico era visto antigamente quase como um sacerdote. O que ele falasse era feito e respeitado, jamais questionado.. hoje o paciente procura tudo no Google e seja o que Deus quiser. Mas não considero essa mudança de relação como uma coisa ruim. O médico não é nenhum Deus. É apenas alguém com um conhecimento específico em uma área que deve usar e compartilhar desse conhecimento para melhor tratar seu paciente.


Como é o dia-a-dia da Medicina? A rotina na faculdade e residência é bem intensa, com uma carga horária grande e muitos plantões noturnos, o que pode ser bem estressante. Após formado, dependendo da especialidade, o médico pode trabalhar em urgência, consultório, atendimento particular ou mesmo trabalhar em gestão ou pesquisa. Isso pode variar bastante de acordo com a especialidade médica escolhida.


Quais os principais desafios? Eu acho que um dos primeiros desafios que você encontra são as provas. Os vestibulares e posteriormente as provas de residência são bem concorridos e não necessariamente justos. As vezes são anos de estudo e dedicação só para conseguir entrar na faculdade. O segundo grande desafio acho que é a própria faculdade em si e todo processo de estudo e o terceiro acho que a forma que você consegue lidar com todo estresse e responsabilidade que envolve a profissão.


O que alguém precisa pra ser bem sucedido na Medicina? Acho que isso depende um pouco do conceito de bem sucedido de cada um. Para mim ser bem sucedida é poder entregar para o meu paciente o melhor que ele pode ter. Para conseguir isso eu acho que estudar é fundamental. Procurar fazer uma boa residência, uma boa especialização e se manter sempre atualizado. Para outras pessoas ser bem sucedido é estudar nas melhores universidades e hospitais. Para outros é ser famoso em sua área e conseguir ganhar muito dinheiro. Em todos os casos, acho que o principal é a dedicação.


Quais habilidades você teve de desenvolver? Nós aprendemos varias habilidades médicas na faculdade, mas uma coisa que pouco se ensina é a habilidade de comunicação. Se você não sabe escutar/entender seu paciente e não se faz compreender, não adianta você ser especialista por Harvard. Saber ouvir e tratar cada pessoa (e não a doença) é fundamental.


Qual a dica de ouro que você tem pra quem quer começar na Medicina? A minha principal dica é tentar entender a sua motivação. Nenhuma carreira vai ser só flores e você precisa entender o que lhe motiva a enfrentar todos os espinhos.. o que lhe motiva a estudar sem parar, a virar noites de plantão e assumir toda responsabilidade dessa carreira? Pra mim são as crianças... sempre que me sinto muito cansada, me vem uma criança com um sorriso, um desenho ou com seu olhar de inocência me lembrar porque escolhi esse caminho.. quando vejo uma criança chegar super grave e sair pulando e brincando de uma urgência ou quando sinto que apesar de não curar, conseguimos fazer a diferença na vida da criança e da família. Essa é minha motivação... Acho que cada um precisa encontrar a sua. Espero que ninguém entenda meu discurso como pessimista, eu amo ser pediatra e amo minha especialização! É só que infelizmente encontro muitas pessoas frustradas nessa profissão por uma questão de motivação mal definida e consequentemente expectativas não atendidas. Então acho que na carreira, como em tudo na vida, precisamos entender o que nos move e nos faz feliz!


Gostou? Curte e compartilha com aquele amigo que quer fazer essa profissão!!

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